GPS traz executivo da Western para comandar área de crédito

Valor Econômico
15/08/2017

Após seis anos na Western Asset Management, Jean-Pierre Cote Gil assumiu a área de crédito da GPS Investimentos, gestora de patrimônio ligada ao grupo suíço Julius Baer. Ficou no posto deixado por Marcelo Urbano, que partiu para a Captalys, uma gestora especializada em estruturação de crédito. Antes, Cote Gil foi o diretor responsável pela área de finanças estruturadas da América Latina da agência de classificação de risco Standard & Poor's.
O executivo chega à nova casa num momento de mercado que considera interessante, em meio ao fim da soberania do CDI. Com a Selic em um dígito, com previsões de que possa fechar o ano em 7,5% - ante os 9,25% atuais -, maior é a propensão dos investidores em assumir uma parcela de crédito privado em suas carteiras.
Além de ativos mais tradicionais como debêntures ou letras financeiras e de crédito em negociações diretas com alguns bancos, ele tem voltado a sua análise para opções menos líquidas. Entram no radar emissões de empresas fechadas e menos conhecidas, as estruturas mais complexas, em que a GPS consegue comprar a operação inteira, até fundos de direitos creditórios (FIDC).
"O risco mais óbvio, dos emissores frequentes, tem apresentado um nível de taxa muito apertado e o mercado está aceitando. O prêmio na entrada não dá margem para erro, está mais apertado do que antes da crise", diz. Cote Gil atribui o fenômeno aos vencimentos de letras de crédito imobiliário e do agronegócio (LCI e LCA), que não estão sendo repostos pelos bancos, com muita liquidez fluindo para os fundos de renda fixa. Os gestores têm topado um menor prêmio para incorporar parcela de crédito privado às suas carteiras, e assim proporcionar algum diferencial do CDI. "O mercado de crédito já está subalocado."
Conforme exemplifica, na sua captação de R$ 5 bilhões via FIDC, a Cielo pagou o equivalente a 102% do CDI para as cotas seniores, em substituição a debêntures com prêmio de 105,8%. A Raia Drogasil assegurou 104,75% do CDI numa oferta de R$ 300 milhões, enquanto a Localiza emitiu R$ 700 milhões por 107,25% do CDI.
"Em prêmios abaixo de 100 pontos básicos, a gente vê pouco valor em carregar o papel", afirma. "Os fundos de renda fixa têm maior incentivo para carregar um pedaço de crédito, são mais tolerantes com prêmios mais baixos e vão para o risco óbvio. Se pagar a conta do fundo e proporcionar 102%, 103% do CDI, ou aqueles com mais crédito, 107% a 110%, é suficiente para muitos gestores."
Nesse ambiente, a GPS tem partido para operações de crédito estruturado, coinvestindo, por exemplo, com gestoras como Western, Capitânia ou Captalys. Sem contar emissões incentivadas, o spread médio da carteira é de 2,5 pontos percentuais acima do CDI - o que equivale a quase 130% do indexador.
Num primeiro nível de risco há emissões até bem conservadoras no escopo, caso de uma oferta de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) com prazo de dois anos, com lastro em imóveis já prontos e garantia real equivalente a duas vezes a operação. "Ao emprestar o dinheiro para a construtora, a empresa deixa de ter pressão para queimar seus estoques e fazer caixa. Tem acesso a taxas interessantes, e do outro lado há o benefício tributário para o investidor." Numa estrutura dessas, a gestora pode entrar como âncora, assumindo a distribuição de 50% a 80% da oferta. Operações de R$ 50 milhões a R$ 70 milhões são facilmente absorvidas, diz.
Outra operação que a GPS está apoiando é um FIDC da Just, um correspondente bancário que trabalha na oferta de crédito com empresas de tecnologia financeira. A oferta, de até R$ 130 milhões, tem como referência o CDI mais um prêmio de 5,5% - a remuneração final está sujeita ao resultado do processo de bookbuilding, em função de demanda e coleta de intenções de investimentos.
Dentro das operações que vieram a mercado, a gestora recomendou a compra de debêntures da Light Serviços de Eletricidade, por considerar um caso de recuperação, em meio ao plano da Cemig de vender sua participação na empresa. Numa oferta de R$ 400 milhões, a empresa pagou CDI mais 4% na série com vencimento em 18 meses, e CDI mais 4,2% na tranche com resgate em 36 meses.