Julius Baer mira oportunidades no país

Valor Econômico
25/05/2015

O Julius Baer pretende crescer na área de gestão de fortunas no Brasil e dobrar de tamanho nos próximos cinco anos. O presidente da instituição no país, Marc Braendlin, disse ao Valor que as restrições econômicas podem fazer de 2015 um ano propício a consolidações, e o banco está de olho em possíveis oportunidades de compra.

O Julius Baer é o maior private bank suíço, com 5,2 mil funcionários, dos quais 3 mil na Suíça. Atua no Brasil por meio da GPS Investimentos Financeiros e Participações, a maior empresa brasileira independente de aconselhamento e gestão de fortunas. A primeira fatia na empresa, de 30% do capital, foi comprada em 2010. Em março do ano passado, o banco suíço comprou mais 50%. A intenção de crescer, diz Braendlin, não descarta a compra dos 20% restantes dos sócios da GPS. Mas não há nada sendo discutido nesse sentido por enquanto.

Segundo Braendlin, apesar do momento econômico desfavorável, há espaço para expansão do modelo de gestão de fortunas no Brasil. Segundo ele, dos R$ 660 bilhões sob gestão em private banking no Brasil atualmente, os independentes possuem apenas 10%. Em outros países, como EUA e Suíça, a fatia pode chegar a 35%. "Não quer dizer que chegaremos a esse tamanho, mas a fatia atual deve crescer." Segundo ele, o crescimento recente da empresa vem de um "rouba-monte" de concorrentes.

Em termos de estratégia de mercado, fundos de renda fixa têm sido o foco da GPS, em razão dos fortes ganhos com taxas de juros. A renda variável deixou de ser foco há algum tempo, mas carteiras sugeridas ainda possuem um valor mínimo de ações em sua composição. A GPS também tem apostado em fundos de crédito e proteção à inflação. "Também acho importante a diversificação internacional."

A compra de uma fatia maior na GPS fez Braendlin mudar para o Rio de janeiro em outubro do ano passado. A GPS tem R$ 21 bilhões em ativos sob gestão, o que representa aumento de 10,5% sobre o fim do ano passado, oferece fundos de terceiros e 70% dos ativos são domésticos. O restante é gerido no exterior.

A GPS tem 120 empregados, a maioria em São Paulo. Há ainda escritórios no Rio e em Belo Horizonte. Há intenção de abrir uma unidade em Porto Alegre.

O grupo Julius Baer encerrou abril com 289 bilhões de francos suíços (US$ 309,9 bilhões) sob gestão, com queda de 1% na comparação com o fim de 2014.